Repleta de história e de cultura, Lisboa é conhecida pelo azul do céu e pela hospitalidade das suas gentes, pelos seus tesouros arquitectónicos, pelos invernos amenos e, claro esta, pelo seu charme incomparável. Trata-se de uma das mais fascinantes e apaixonantes cidades da Europa. O som dos eléctricos a subir e a descer as ruas empedradas da cidade, o fado que ecoa em alguns dos bairros mais típicos e a modernidade de alguns dos seus edifícios em ameno convívio com os monumentos históricos que traçam a genética de uma cidade que se estende até o rio Tejo, o mesmo que no século XV testemunhou a ousadia dos nossos navegadores que partiram à descoberta do Mundo. Lisboa combina na perfeição o novo e o velho. Por aqui andaram povos iberos, celtas, gregos, fenícios, cartagineses, romanos, godos, vândalos, alanos, suevos, visigodos e mouros, antes de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, ter conquistado a cidade em 1147. Todos eles se deixaram encantar por este local que tem uma luminosidade única no mundo – não falta quem considere que é esta que lhe dá o nome: Luz Boa –, banhado por um rio calmo e generoso. Os fenícios ter-lhe-ão chamado Allis Ubbo, expressão que significa justamente «enseada amena» ou «porto seguro». Quando chegam os Romanos, a cidade passa a chamar-se Felicitas Julia; com os Visigodos, Ulishbona, e os Mouros referem-se a ela como al-Lixbûnâ. Reza a lenda que Lisboa foi originariamente construída sobre sete colinas e por isso é que ainda hoje apresenta uma enorme diversidade de paisagens. Todos os locais da cidade mantem um toque de tradição. A paisagem ondulada está repleta de esplanadas, magníficos edifícios vanguardistas, monumentos que nos transportam ao passado, inúmeros museus e belíssimos miradouros.
Como capital do país, foi também aqui que tiveram lugar alguns dos momentos mais relevantes da história portuguesa, incluindo 400 anos de ocupação árabe, a florescente época dos descobrimentos, o fim da monarquia, os anos da ditadura e a revolução pacífica de 25 de Abril de 1974. Se existe uma zona da cidade que tenha testemunhado tudo isto foi o próprio centro – A Baixa. Após o grande terramoto de 1755, o centro histórico foi gradualmente reconstruído graças ao esforço e à persistência de Marques de Pombal, e a verdade é que ainda hoje é considerado um dos exemplos mais impressionantes de reconstrução arquitectónica na Europa devido aos modernos materiais e técnicas usadas à época. A parte mais antiga desta fascinante zona é o Rossio, conhecido pelos seus engraxadores, teatros históricos e a variedade de cafés e restaurantes. Deve passear pela agitada Rua Augusta acabando na Praça do Comércio, uma das praças mais famosas da Europa e a zona onde se encontram alguns dos cafés mais antigos de Lisboa. Pode ainda passear pelos pequenos mercados ao ar livre e observar os artistas de rua. Obrigatório subir no Elevador de Santa Justa para contemplar a cidade a partir do alto. A caminho da Praça Marques de Pombal passa-se pela elegante e arborizada Avenida da Liberdade, a artéria com mais glamour e mais árvores da cidade, famosa pelas suas lojas e restaurantes sofisticados e pelos hotéis de luxo. A sua inauguração, em 1879, marca o crescimento da cidade para além dos traços pombalinos. Foi também nesta zona que estalou a revolta que havia de implantar a república em Portugal, em 1910. Ao cimo da Avenida, encontra-mos o imponente Parque Eduardo VII, que assim foi batizado em honra do monarca inglês após a sua visita em 1902. No início do século XX, os alfacinhas entretêm-se com o fado, as touradas, o futebol e o teatro de revista. A noite de Santo António, com as marchas populares, é o momento mais aguardado do ano, apesar de ser São Vicente o santo padroeiro de Lisboa, desde 1173, quando ocorreu o episódio ainda hoje evocado no brasão da cidade. Durante a II Guerra Mundial, a localização geográfica da capital portuguesa faz dela um dos grandes centros de espionagem do conflito. Com o Estado Novo, Lisboa é alvo de grandes intervenções arquitectónicas, de que se podem destacar a ponte sobre o Tejo e o Padrão dos Descobrimentos, por exemplo. É também nas ruas da cidade que se dá a Revolução dos Cravos, em Abril de 1974, e foi no Mosteiro dos Jerónimos, já em 1985, que se assinou o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia. Em 1988, mais uma ferida é aberta no rosto de Lisboa, com o incêndio de grandes proporções do Chiado, e data do final do milénio a última grande renovação urbana, com praticamente uma nova cidade a nascer na zona oriental, impulsionada pela Expo 98.













